Reverón en el mar Caribe, foto del documental de Margot Benacerraf "Reveron".
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“O Brasil estava sofrendo uma epidemia de "carros-bomba" naqueles dias, (...) e a ditadura utilizou esse fato para evitar os concertos de Joan para "proteger o público"
Depois daquela turnê histórica na que Joan Báez aterrorizou tanto assim aos ditadores da Argentina, o Chile e o Brasil, que eles ameaçaram de morte a ela e foi proibida de cantar, entre outras coisas, a lendária cantora, compositora e pacifista dará shows este mês de março nos mesmos países onde seu canto fez tremer aos genocidas em 1981.
Eduardo Suplecy e Joan Báez, Teatro Tuca, São Paulo, Brasil, maio 1981.
“A bela Laura Bonaparte era uma psicanalista argentina. Em 11 de Junho de 1976, seu marido, bioquímico, foi levado de sua casa, na frente dela e nunca mais viu a ele. Quando ela foi à procura de sua filha, que também tinha “desaparecido”, eles deram-lhe uma mão num frasco de vidro para que ela fizesse a identificação”. Joan Báez And a Voice to Sing With (autobiografia
"Durante a visita de Joan (...) eles colocaram uma bomba e tivemos que desocupar a casa (...) e levar correndo a Joan a um bar distante para mantê-la segura.Liguei para os bombeiros, que apareceram com umcaminhão da esquadrão anti-bombas e retiraram do balcão uma caixa com fios que eram visíveis com a bomba, a que fizeram explorar na casa (....) a presença de Joan na Argentina foi um grande apoio e fortaleza para a causa em defesa dos direitos humanos, ela nos fortaleceu em nossa luta. "
Graças a Joan Baez porque apesar de ser ameaçada de morte, perseguida, proibida, ficou ao lado de nós, nos cantou e mostrou ao mundo o horror das ditaduras no maravilhoso documentário: “Joan Baez in Latin America: There but for Fortune”.
Graças a Joan Baez porque ela deu voz, rosto e humanidade ás vítimas.
Graças a Joan Baez por denunciar da mesma maneira os crimes cometidos pelas ditaduras de direita, de esquerda e as democracias.
Graças a Joan Baez por sua luta pelos direitos humanos, sua oposição às guerras, a carreira armamentista, as discriminações, os regimes totalitários.
Graças a Joan Baez por fazer-me conhecer aos 16 anos a não-violência e a sua diferença com a passividade.
Graças a Joan Baez porque sua luta não se limita a cantar e dar declarações à imprensa, como esse documentário e esta reportagem (entre muitos outros fatos) provam.
Graças a Joan Baez por sua voz, que acalma todas as dores.
Graças a Joan Baez por ser faro e bandeira, mas também dúvida.
E graças Julio Emiio Moliné por compartilhar parte de suas lembranças e fotos daquela corajosa turnê de Joan Baez na América Latina... cá, por fortuna.
"Na Argentina, foi onde mais ameaçaram a Joan, nos expulsaram de um hotel, jogaram bombas de gás lacrimogêneo (...) havia sempre um Ford Falcon sem placas nos seguindo por toda parte. Dentro dele estavam quatro rapazes misteriosos."
Julio, como é que você se integrou à turnê humanitária e shows que Joan Baez realizou em 1981 pela Argentina, o Brasil e o Chile para mostrar sua solidariedade com as vítimas dessas ditaduras?
Uma manhã de segunda no final de abril de 1981 recebeu um telefonema no trabalho (eu trabalhava numa emissora de TV) do meu amigo John Chapman, um cineasta independente de São Francisco. Ele me disse: Você gostaria sair de turnê por América Latina com Joan Báez por um mês? O que você acha? Filmamos a ela e fazemos um documentário.”
Eu falo espanhol, tinha vivido muitos anos no Chile e viajado pela Argentina, então John pensou que eu era um bom parceiro para esta aventura. John era um cara muito interessante.Um pouco mais velho do que eu, ele tinha trabalhado em Apocalypse Now com Francis Coppola. Até está como figurante numa das últimas cenas do filme.Em 1978 ele foi para a Nicarágua durante a Revolução Sandinista e filmou um documentário muito bom, Scenes of a Revolution. Como eu também tinha filmado em Nicarágua, em seguida nos tornamos amigos.
Eu disse que sim, embora não tinha férias e teria que obter permissão sem salário. O outro problema era que minha esposa ficava grávida e nossa filha nasceria durante a turnê, então precisava falar com ela primeiro. Generosamente ela disse que sim. E nossa filha nasceu quando eu ficava em Buenos Aires.
Essa segunda à noite quando recebi o telefonema de John, nós nos encontramos com Joan em um restaurante chinês em Palo Alto.Joan me deu o aval e começou os procedimentos de preparação.
Qual foi sua impressão de Joan?
Eu me lembro de estar um pouco chocado por estar comendo arroz chinês com uma pessoa tão famosa. Além de ser uma mulher muito bela, ela foi muito amigável e cálida. Ela fez muitas perguntas sobre a América Latina, algumas com boa informação e outras não tanto e pagou pela comida.
Ela me deixou uma impressão muito boa por sua cortesia e seu bom humor.
Que dia começou a turnê?
John e eu nos reunimos com Joan e Jeannie em 3 de maio de 1981 na Cidade do México, onde fizemos uma entrevista à doutora argentina Laura Bonaparte (sua família sofreu muito nas mãos da ditadura), e naquela noite Joan deu um concerto e aproveitamos para testar os equipamentos.
No dia seguinte, fomos para a Argentina, onde ficamos até o dia 15 de maio, o dia em que cruzamos a Cordilheira dos Andes para o Chile.Ficamos em Santiago até o dia 19 de maio, quando saímos para o Brasil.Ficamos em São Paulo e Rio por alguns dias e depois fomos para a Nicarágua.Daí John e eu voltamos para os EUA e Joan e Jeannie foram-se para a Venezuela.
Essa turnê foi gravada, com exceção da Venezuela e a Nicarágua, no maravilhoso documentário "Joan Baez in Latin America: There But for Fortune”. De quem foi a idéia de fazer o documentário?Qual era o objetivo?Como foi financiado?
O motor principal do documentário foi John Chapman, que convenceu a Joan que seria muito bom gravar sua turnê para a história.Grande parte do financiamento para a turnê veio de Diamonds & Rust, a empresa de Joan na Califórnia.Meu salário o pagou a KTEH TV, a estação de televisão onde eu trabalhava. A KTEH também emprestou os equipes de filmagem, financiou a pós-produção e os custos editoriais. Para o coitado de John foi bastante difícil durante a pós-produção, porque ele era independente e não tinha salário.
Tragicamente, John Chapman morreu num acidente em 1983, menos de um ano depois de terminar o documentário.
Você acha que Joan Báez imaginava que ela iria receber ameaças de morte, bombas, gás lacrimogêneo e censura de seus shows nos três países?
Não. Ela acreditava que seria difícil, mas nunca na medida em que aconteceu.Quem plantou a semente da turnê na mente de Joan foi o escritor chileno Fernando Alegria, que na época era professor de literatura na Universidade de Stanford.Ele acreditava que as coisas se estavam suavizando um pouco no Cone Sul e que a visita de Joan daria muita energia aos povos da América Latina e, especialmente, aqueles que estavam protestando contra as ditaduras.
Como fizeram para filmar o documentário quando vocês eram vigiados pelas ditaduras o tempo todo?
Foi muito difícil, porque o medo era mais comum do que o sol, e por boas razões.Muito poucos nos EUA sabiam da guerra suja na Argentina, dos esquadrões da morte no Brasil e da DINA / CNI no Chile, mas nós sabíamos disso. Nos EUA isso foi totalmente ignorado pela maioria.Lembre-se que, em 1980, Reagan foi eleito presidente nos EUA com a missão de reverter muitos dos avanços liberais dos anos 70.Mas eu tinha vivido a ditadura de Pinochet e sabia que seriamos sendo observados.O mais provável era que confiscaram nossos equipamentos no aeroporto e seria o fim do documentário.Por esta razão, decidimos ir super leves com um par de câmeras Elmo Super 8, gravadores de cassetes Sony TCD 5 e uma grande mala de filme Kodachrome e Ektachrome. Tínhamos um par de luzes e um tripé e isso era tudo todo.
Muitas das cenas do documentário são interiores: concertos, apartamentos, casas de amigos, etc. Dessa maneira nós podíamos deixar fora a vigilância e filmar o que podíamos com as poucas luzes que tínhamos. Para as cenas externas geralmente nós íamos sem Joan porque ela atraia muita atenção.
Quem fez a equipe de Joan Báez, além de você?
Quatro: Joan, Jeannie Murphy, que era como a produtora / gerente de Joan, John e eu.Em cada país, havia muitas pessoas que nos ajudaram e tornaram possível que só quatro pessoas pudéramos fazer a turnê e o documental. Curiosamente, no Chile os tablóides deram a entender que o John e eu éramos "amigos" (namorados) de Joan e Jeannie, mas isso foi uma invenção de pessoas ao serviço da ditadura.No entanto, aos meus amigos no Chile isso lhes causou muita graça.
Houve um país mais perigoso do que os outros ou em todos Joan Baez foi perseguido da mesma forma?
O mais perigoso foi Argentina, mas acho que os militares estavam mais interessados em que nada acontecera com Joan mais que eles fazer dano a ela. Éminha especulação, mas eu acho que no Chile, Pinochet ficava muito mais seguro de seu poder em comparação com os militares argentinos ou brasileiros.O Brasil então era uma casa de loucos, ou pelo menos essa foi minha impressão.
Na Argentina, foi onde mais ameaçaram a Joan, nos expulsaram de um hotel, jogaram bombas de gás lacrimogêneo em uma reunião, etc. Além disso, havia sempre um Ford Falcon sem placas nos seguindo por todos os lugares. Dentro dele estavam quatro rapazes misteriosos. Em Buenos Aires foi o único lugar onde eu estava realmente com medo, uma noite cheguei a duvidar de ligar o carro, porque poderia ter uma bomba. Essa noite foi a noite em que minha filha nasceu.
No Chile, a questão foi mais sutil. Embora Joan tampouco pôde cantar em concertos com ingressos , mas pelo menos ela pôde cantar em público de maneira grátis. Se fomos seguidos pela ditadura, eu não o percebi, mas com certeza que eles o fizeram.
O Brasil estava sofrendo uma epidemia de "carros-bomba" naqueles dias, muitos dos quais foram atribuídos à ditadura, quando a verdade veio à tona após.Mas naquela época nós não sabíamos isso e a ditadura utilizou esse fato para evitar os concertos de Joan para "proteger o público".
"A platéia lotava inteiramente as 1.200 cadeiras e todos os espaços dos corredores internos do Tuca (..) Essa platéia ficou de pé, e aplaudiu demoradamente, quando Joan Baez finalmente entrou no palco, pouco antes das 9 da noite – não para cantar, mas para avisar que estava proibida de exercer seu ofício (...) Na realidade, ela acabaria cantando duas músicas – sem qualquer acompanhamento, sem microfone, sem alto-falante, de uma janela – para umas 50 pessoas que conseguiram chegar perto da saleta da secretaria do Tuca. Cantou “Gracias a la Vida” e “Cálice”. Sergio Váz, Jornal da Tarde, São Paulo, 23 de maio de 1981.
Como recebeu o povo brasileiro a Joan?
O povo brasileiro a recebeu com amor, e mesmo que ele não podia cantar, sempre que ele apareceu em público as pessoas aplaudiram a ela.
Joan se encontrou com muitos representantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Eduardo Suplicy, eu acho que ele foi um deputado na época, levou-nos para muitos lugares, incluindo uma reunião com Lula na periferia de São Paulo na união de trabalhadores da indústria automobilística.
Suplicy tentou obter a permissão para que Joan pudesse dar um concerto, até que eu me lembro que fomos a uma delegacia de polícia para que Spulicy fizera os trâmites, mas sem sucesso.
Fomos a um concerto de Zé Ramalho e ele a recebeu muito gentilmente no camarim (nuvens de fumaça), mas pediram a ela de não cantar, porque tinham medo do que poderia acontecer com as autoridades. Acho que foi a auto-censura, mas pode ter havido ameaças, isso eu não tenho certeza.Então Joan subiu ao palco e dançou entanto o Zé cantava .O público a ovacionou.
A gravadora de Joan no Brasil Joan nos trataram muito bem, mas eles também foram muito frustrados porque que eles perderam uma grande oportunidade para fazer propaganda de os discos do Joan no Brasil.
Joan também foi entrevistada pela TV Globo, onde o canal não nos deixou filmar. Lembro-me até que o canal nem sequer queria que John e eu entráramos no edifício.Nunca vimos essa entrevista porque eles não a enviaram como tinham prometido.
Joan se lamentava pelas coisas que as ditaduras faziam a ela?
Nunca ouvi a ela se lamentar. Isso não é seu estilo.
Qual é o seu estilo?
Estóico. Sem queixar-se de suas penas pessoais, pois reconhece que há outros que têm penas muito maiores.
Cineasta independente com sede em Los Angeles, Califórnia. É especializado na produção, direção e edição de material de televisão nos Estados Unidos e distribuição internacional. Moliné viveu em Santiago, Chile, desde sua infância até os seus estudos na Universidade do Chile. Após o golpe de Estado de Augusto Pinochet, deixou o país e continuo os seus estudos na Universidade de Iowa.
O documentário “Joan Baez in Latin American: There But For Fortune” (1981) ganhou vários prêmios.
Como cineasta filmou a Revolução Sandinista na Nicarágua, o assassinato do prefeito Moscone e Harvey Milk, ea tragédia do Templo do Povo. Seu documentário de três partes do Vale do Silício (1986) e é considerado como um dos mais importantes sobre a indústria de alta tecnologia da região.Inclui entrevistas com Steve Jobs e Steve Wozniak (Apple), Bob Noyce e Gordon Moore (Intel), Jerry Sanders (AMD) e outros.
En los últimos tiempos diferentes medios digitales chavistas y castristas han publicado, sin mi autorización, el reportaje que le hice al escritor argentino antiimperialista Julio Cortázar, en 1979, en Caracas.
Como no puedo demandarles ni evitar que lo sigan haciendo, lo único que puedo hacer es decir públicamente: no soy ni fui chavista, madurista, castrista, comunista.
Nunca apoyé, ni apoyo, ninguna dictadura de izquierda o derecha;ninguna democracia, gobierno, grupo guerrillero o civil, que viole los derechos humanos.
Soy una ex víctima de la última dictadura argentina, condenada al exilio a los 21 años por ser pacifista y editar una pequeña revista de cultura con aires de libertad: Machu Picchu.
Soy una argentina-venezolana autoexiliada en 2007 por rechazar la dictadura cívico-militar del comandante Chávez.
Fui miembro de la Junta Directiva de Amnistía Internacional Venezuela. Miembrode la Junta Directiva de laCoordinadora Pro Derechos Humanos en Argentina, fundada por el exilio argentino en Caracas para denunciar los crímenes de la dictadura militar argentina y defender a sus víctimas.
Participé en el Primer Congreso de Familiares de Detenidos-Desaparecidos de América Latina, realizado en enero de 1981 en Costa Rica, en representación de Amnistía Internacional Venezuela.
Por eso me indigna, y me sorprende, que medios chavistas y castristas publiquen el reportaje que le hice a Cortázar, destacando mi nombre.
Porque yo todavía quiero vivir Libre en un país Libre.
En una Democracia con Independencia de Poderes.
Sin gente Asesinada, Presa, Torturada, Exiliada, sólo por pensar diferente.
Un país sin Gente Pobre ni Explotada.
Con Justicia Independiente.
Un país sin Terrorismo de Estado.
Con Igualdad de Derechos para Todas y Todos.
Un país sin grupos Paramilitares.
Con Libertad de Expresión. Un país Sin Explotación ni Violencia Económica, Sexual, Doméstica, Infantil, Religiosa, Política, Laboral, Social, Educacional, etc. Para la gente nacida en Venezuela y para quienes elegimos Venezuela como nuestra patria.
Sin Machismo.
Sin Racismo.
Sin Antisemitismo. Un país Con Igualdad de Derechos para Todas las Mujeres, independientemente del género con el que hayamos nacido.
Un país Con Igualdad de Derechos para la comunidad LGTBI.
Sin Xenofobia.
Con Hospitales y Escuelas Públicas que funcionen.
Sin Corrupción.
Sin gente Trabajadora y Estudiantes viviendo en Barrios Marginales.
Un país donde el Estado, las Religiones y el Machismo nos devuelvan a las Mujeres Nuestros Cuerpos Expropiados.
Sin Homofobia.
Un país donde el Estado deje de Perseguir y Encarcelara las Mujeres por querer ser Dueñas de Nuestros Cuerpos.
Sin Femicidios.
Sin Asesinatos.
Sin Violencia Civil.
Un Estado Laico.
Un país que devuelva sus Tierras a los Pueblos Originarios.
Un país con Amor y no con Odio.
Un país con Paz y en Paz.
Donde lo importante seamos los seres humanos y no el partido político de militancia.
Un país donde podamos vivir, convivir, respetarnos, aceptarnos, con nuestros acuerdos y diferencias.
Un país donde el Gobierno sea mi Empleado y no mi Dueño.
Por eso no soy ni fui chavista, madurista, castrista, comunista.